Obras inacabadas irritam moradores de bairros em Cabo Frio

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Obras inacabadas irritam moradores de bairros em Cabo Frio

Guarani, por exemplo, foi inteiramente quebrado e reforma parou.
Avenida Joaquim Nogueira está há quase dois anos sem conclusão.

 

Moradores de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, estão indignados com o abandono de obras em bairros da cidade. Um dos principais exemplos é o bairro Guarani, que foi inteiramente quebrado para uma reforma geral, mas os operários sumiram e o trabalho ficou pela metade. Outro exemplo é na Avenida Joaquim Nogueira, que começou a ser reformada há quase dois anos em um projeto de quase R$ 6 milhões, e ainda não foi concluída (veja as imagens no vídeo acima).

A diminuição no repasse dos royalties do petróleo é a motivo dado pela Prefeitura para a interrupção nas obras em andamento. No entanto, moradores lembram que o repasse diminuiu neste ano, enquanto algumas obras começaram – e deveriam ter sido concluídas – em anos anteriores.

“Quando está com sol, é poeira para todo lado dentro da loja. Quando chove tem poça e lama. Já perdi 80% de lucro nesse tempo todo de obra. Um absurdo”, afirma o comerciante Antônio Silva, dono de uma loja de auto peças na Avenida Joaquim Nogueira, a principal do bairro São Cristóvão.

A obra na Joaquim Nogueira começou em agosto de 2013 com orçamento de R$ 5.893,373,92 e prazo de conclusão em seis meses. O projeto previa adaptações para pessoas portadoras de deficiências em todo o trecho.

Projeto seria exemplo de acessibilidade
Se a situação é ruim no bairro São Cristóvão, o caso é ainda mais grave no Guarani. Em outubro do ano passado a Prefeitura anunciou que o local se tornaria um “bairro-modelo”, 100% adaptado para portadores de necessidades especiais. Mas após as ruas serem quebradas, a empreiteira começou o serviço e depois abandonou os trabalhos. O resultado é um bairro inteiro com ruas e calçadas quebradas.

“Há mais de um mês não aparece ninguém aqui”, diz o presidente da Associação de Moradores do Guarani, Irineu Assunção.

Os moradores relatam que, até mesmo onde a obra foi feita, os defeitos são graves.

“Fizeram a minha calçada, mas fizeram tudo errado. Quando chove entra água dentro de casa. Tive que improvisar uns tijolos”, conta ele.

Situação que causa ainda mais transtornos para a aposentada Izabel Martins. Ela é deficiente visual e com a calçada nova não consegue se locomover.

“Com essa rampa que fizeram aqui eu tenho medo de descer. Nem vou mais na casa da minha vizinha, coisa que antes eu conseguia fazer”, afirmou.

Os motoristas também reclamam da quantidade de buracos deixados pela obra inacabada. “Toda hora quebra a suspensão do carro, tem que ficar sempre trocando as peças”, diz Ilton Carvalho. A situação consegue ficar ainda pior no horário de entrada e saída dos estudantes da escola Luiz Lindemberg. “As crianças que estudam a tarde saem às 18h e está perigoso porque não tem iluminação, então fica tudo escuro”, completou.

“Obrigada a paralisar”, diz Prefeitura
Por meio de nota, a Prefeitura de Cabo Frio alegou que foi “obrigada a paralisar todas as obras em andamento” por causa da crise financeira causada pela queda no repasse dos royalties. Disse ainda que quando a situação dos cofres públicos melhorar, tudo será retomado.

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